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Blockchain a nova bala de prata!?

Blockchain a nova bala de prata!?

Sou pesquisador na área de Blockchain acerca de 2 anos, estou acompanhando o aparecimento de gerações de empresas e plataformas. Várias já desaparecem mas as visões tecnológicas e possibilidades de aplicações continuam evoluindo. Gostaria de compartilhar o que entendi até hoje e como estou lidando com a hype até o momento.

Estamos vivendo uma “febre de blockchain”, o número de áreas onde as tecnologias estão sendo testadas é gigante.

Imagem de um artigo do Andrew ‘Flip’ Filipowski CEO da Fluree entitulado: Blockchain for 2018 and Beyond: A (growing) list of blockchain use cases

Se formos avaliar no Brasil, o portal TI INSIDER publicou uma pesquisa ano passado apresentando os setores e cargos que estão olhando pra Blockchain. Dessa pesquisa podemos observar algumas coisas interessantes que ajudam a descrever muito bem o momento:

  1. Os maiores interessados são empresas de consultoria com 18%, provalvelmente tentando entender a tecnologia.

  2. Em relação a cargos os maiores percentuais são de gestão ou estratégicos, ou seja, a área técnica ainda não está olhando para a tecnologia com a mesma intensidade das área de gestão.

Essa pesquisa, assim como várias outras, apresentam o mesmo cenário de muita investigação e pouco envolvimento técnico.

Podemos verificar isso pelo relatório para 2019 da InfoQ, o maior portal de Early Adoptors do mundo que posiciona Blockchain no quadrante de Inovators. Isso faz todo sentido pra mim se avaliarmos junto a pesquisa do protal TI INSIDER. Abaixo seguem os quadrantes segundo arquitetura e design de software da InfoQ para o Q1/2019:

img

Isso acontece pelo fato das plataformas estarem nascendo com o objetivo de prover um novo jeito de desenvolver aplicações, gerando problemas e desafios que por sua vez, dão origem a novos padrões e práticas de desenvolvimento.

Mês passado eu achei um artigo interesante do Kai Stinchcombe no medium questionando fortemente Blockchain como tecnologia. Kai chega ao ponto de dizer que ninguém pensa em blockchain como a primeira alternativa de solução para um problema.

Em certo grau, isso pode ser verdade se olharmos Blockchain considerando tudo ou nada, mas se observarmos as plataformas disponíveis com olhos de quem avalia um sistema distribuído podemos considerar Blockchain uma opção viável.

Pois as soluções estão se posicionando em “camadas” devido as suas características,

para facilitar, seguem exemplos de plataformas em cada uma delas:

  • Aplicações Distribuídas: DApps do Ethereum
  • Aplicações Integradas: Aplicações do Cosmos ou Polkadot
  • Framework de Orquestração: Substrato, Tendermint, Concord
  • Armazenamento: BigchainDB

Hoje para se ter esse tipo de funcionalidade a pilha de tecnologias é complexa e normalmente é utilizada por grandes players de mercado Google, Facebook, Netflix. Abaixo segue uma generalização de dos conceitos tecnológicos envolvendo Blockchain e outras tecnologias:

Em tecnologias não baseadas em Blockchain as funcionalidades normalmente são implementados por frameworks de maneira isolada, abaixo segue um simples mapeamento dos conceitos e tecnologias:

  • Blockchain: Ethereum, BigchainDB, Cosmos, Quorum
  • Framework de ordenação: Zookeeper, Consul, Hazelcast
  • Banco p2p: Cassandra, OrientDB
  • Framework de concorrência: Spark, Akka, proto-actor, thespian
  • Mensageria p2p: Kafka

Blockchain é disruptivo, pois as plataformas, modelos arquiteturais e de negócio ainda estão surgindo, mas de forma geral Blockchain democratiza a ordenação distribuída de eventos, replicação, confiabilidade da entrega de mensagens.

O desafio com Blockchain é o projeto dos modelos e relacionamento dos dados, as plataformas abstraem toda a complexidade das camadas operacionais de um sistema distribuído. Funcionalidades baseadas em conceitos que são diferentes do atuais, como:

  1. Provas criptográficas “proofs”
  2. Distribuição de dados sem perda da propriedade “ownership”
  3. Replicação de código + dado “contratos”

As tecnologias baseadas em Blockchain pra mim resentam o prelúdio de um mundo distribuído e compartilhado de valor.

Uma prova disso é o surgimento do Ethereum que é um grande computador onde aplicações são implementadas como Smart Contracts que são totalmente replicados.

O isolamento entre aplicações é provido na implementação dos próprios contratos. Outros exemplos são as plataformas: Cosmos e Polkadot que exploram a composabilidade entre Blockchains isoladas como forma de integração de aplicações.

No Quora um portal para troca de informações, achei um questionamento criado pelo Alan Morrison iniciada em 2016 e ainda hoje repercute que é muito interessante.

Naquela época ele apresenta pontos que ainda hoje valem ser considerados, como em relação a complexidade dos smart contract que cresce conforme o quão distribuída é a sua blockchain e o grau de automação desejado no nicho. Abaixo segue a imagem do post onde ele ilustra o problema.

Pra mim Blockchain não é a bala de prata que parece, nenhuma tecnologia é aderente a tantas áreas, isso é tão interessante que até o Gartner resolveu tratar de maneira diferente em seu Hyper Cicle. Eles isolaram por setor de maneira a possibilitar a identificação da evolução do uso de Blockchain em cada setor vertical.

Por enquanto as áreas que estão despertando meu interesse, são:

  1. Smart Contracts
  2. Ledgers Distribuídos
  3. Modelos de Negócio
  4. Logística e Transporte

Optei por focar nessas áreas porque considero serem as mais facilmente implementas ou passíveis de exploração usando as plataformas atuais sem precisar utilizar tecnologias foram da Blockchain como suporte.

Espero que este pequeno artigo sirva para clarear um pouco as coisas em relação a hype de Blockchain.

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Sobre o Autor

Adriano Ribeiro
Adriano Ribeiro

Profissional de tecnologia, agilista atuando no mercado a mais de 20 anos em diversas áreas. Nos últimos 5 anos venho trabalhando especificamente com pesquisa, desenvolvimento e inovação em diversos setores da indústria brasileira e internacional sempre utilizando conceitos e ou tecnologia de ponta. Há 19 anos eu era um novato em tecnologia e já havia criado meu primeiro portal para compartilhar informações de qualidade em língua portuguesa, o http://www.geleira.org. Acho que agora é o momento de voltar fazer isso e compartilhar o que aprendi nesses quase 20 anos de carreira.

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